Jornalismo Humano – As melhores reportagens de periodismohumano.com

Por Patricia Simón · Tradução de Janaína Marcoantonio

  • A Plataforma de Afetados pela Hipoteca lança uma campanha para a ocupação de imóveis esvaziados por despejos
  • “Estão pagando os despejos com nossos impostos para jogar as pessoas na rua a fim de que os bancos fiquem com os imóveis vazios”, sentencia Rafael Mayoral, advogado da PAH
  • José Coy, co-fundador da PAH em Múrcia, anuncia um outono quente. “Temos que ir atrás deles porque eles vão continuar indo contra nós”

José Coy é um nome conhecido e respeitado em círculos de ativismo que, até agora, haviam permanecido em mundos paralelos para muitas pessoas. É bem conhecido por alguns dos sindicalistas veteranos de mineradoras e estaleiros asturianos desde a década de 1980, quando, junto com outros sindicalistas, viajou de Múrcia a Astúrias para levar comida e apoio aos familiares dos trabalhadores em greve de fome; é lembrado por aqueles que estiveram em Múrcia em 2001, quando quatrocentos imigrantes centro-americanos se trancaram em igrejas diante da reforma da Lei de Estrangeiros do então ministro do Interior, Jaime Mayor Oreja, que abriu as portas ao que na época era impensável e que hoje é uma realidade cotidiana: a deportação dos imigrantes sem documentos. Centenas de trabalhadores se trancaram porque temiam ser deportados depois de anos trabalhando como escravos no campo murciano, sem nenhuma forma de renda, porque também se perseguia o emprego de pessoas sem papéis, ao mesmo tempo que terminavam seus últimos pacotes de arroz e feijão. Os que viveram essa crise humanitária relatam o incansável trabalho de José Coy, convertido em porta-voz da Plataforma de Imigrantes de Molina de Segura, acompanhando-os no protesto, falando com os meios de comunicação, coordenando a coleta de comida, enquanto continuava viajando pelos povoados murcianos vendendo roupa. Fazendo frente a essa luta, está o governo de Aznar e sua política para estrangeiros, que muitos defensores de direitos humanos definiram como “a caça ao imigrante”. Por ela, centenas de imigrantes passaram fome na Espanha, uma luta que Coy relembra agora como “a rebelião das lágrimas, porque há lutas que não se travam com golpes, mas sim com choro”.

José Coy na barraca do 15-M Gijón na Semana Negra (Javier Bauluz / Piraván)

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Por Yasna Mussa · (Santiago do Chile) · Tradução de Janaína Marcoantonio
  • Desde a década de 1980, em plena ditadura de Augusto Pinochet, não se viam tantas pessoas marchando pelas principais ruas chilenas.
  • Todas as quintas-feiras de junho, mais de 200 mil chilenos em Santiago e uns 400 mil no resto do país se manifestaram durante horas sob um mesmo lema: recuperar a educação como um direito gratuito e de qualidade.

Manifestação de estudantes, professores e pais em prol da educação. 16 de junho de 2011, Santiago do Chile (AP Photo/Roberto Candia)

Desde a década de 1980, em plena ditadura de Augusto Pinochet, não se viam tantas pessoas marchando pelas principais ruas chilenas. Todas as quintas-feiras de junho, mais de 200 mil chilenos em Santiago e uns 400 mil no resto do país se manifestaram durante horas sob um mesmo lema: recuperar a educação como um direito gratuito e de qualidade.

Em 30 de junho, realizou-se uma grande manifestação em prol da educação, em que diretores, professores, estudantes e pais marcharam pelas mesmas demandas que haviam levado à ocupação de cerca de quinhentas escolas públicas e privadas, à paralisação da maioria das universidades e, recentemente, à ocupação estudantil das sedes de dois partidos políticos emblemáticos.

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Por Luna Bolívar · Tradução de Mariana Marcoantonio

  • “Quando o insatisfeito não encontra a quem se dirigir, busca seus próprios representantes”
  • “Os populistas dinamarqueses combinam o discurso anti-imigração com o chauvinismo caricato”
  • Propostas como “a liquidação dos ciganos” não são pouco frequentes na Europa Oriental

Siv Jensen, líder de um dos partidos populistas de direita mais fortes da Europa, o norueguês Partido do Progresso, vota em Oslo, em 2009. Nessas eleições, sua formação obteve 23% dos votos. (AP/ Scanpix, Erlend Aas)

Dificilmente 50 policiais adicionais representarão um verdadeiro perigo à livre circulação dentro da União Europeia. É claro que a nenhum cidadão europeu será negada sua entrada na Dinamarca. E, de fato, ninguém acha que os postos alfandegários que Copenhague mandou reabrir no começo de julho sirvam para combater o crime entre fronteiras.

Mas nada disso importa. A meia centena de agentes dinamarqueses tem outro valor, simbólico: diz a Bruxelas que os acordos comunitários podem ser cumpridos ou não, e aos cidadãos, que o governo está agindo. O efeito colateral é um golpe ao Estado de direito, porque o ato vem a demonstrar o que os especialistas constatam já faz algum tempo: a capacidade crescente dos partidos de extrema direita europeus de posicionar seus assuntos na agenda política.

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Mónica G. Prieto · (Beirut) / Tradução de Janaína Marcoantonio
  • A comunidade GLBT, que participa das revoluções sociais como qualquer outra agrupação, vê uma oportunidade na “primavera árabe”.
  • Apesar disso, a homossexualidade é castigada com prisão em boa parte da região, quando não com pena de morte.
  • No Líbano, o país mais tolerante, mas não mais permissivo, várias ONGs lutam em nome de toda a comunidade regional.

Teddy, um bissexual libanês profissional da dança do ventre, se prepara para sua atuação. (Osama Ayub/AP)

Em meio ao milagre da Plaza Tahrir, ocorreram vários avanços ofuscados pela magnitude do desafio social de lutar contra décadas de ditadura egípcia. Mulheres e homens protestando de mãos dadas, cristãos e muçulmanos, laicos e fundamentalistas, direitas e esquerdas… Mas, sem dúvida, um dos fenômenos mais desconhecidos foi a inesperada aliança de homossexuais com os Irmãos Muçulmanos. Eles contam que compartilharam não só sonhos revolucionários, como também o espaço físico das tendas de campanha que surgiram em Tahrir, algo totalmente novo para uma organização fundamentalista como a Irmandade. E que a convivência durou exatamente o que durou a revolução.

“Depois, os mesmos homossexuais foram atacados pelos membros mais homofóbicos dos Irmãos Muçulmanos, que se negaram a trabalhar com eles. Isso não nos surpreendeu: nas agendas políticas, os homossexuais são sempre oprimidos de uma forma ou de outra”, explica Anthony Rizk, membro da Helem, a organização mais visível e ativa que defende os direitos da comunidade GLBT – Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transexuais – no Líbano.

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Carmen Rengel · Ramala (Cisjordânia, Palestina) / Tradução de Mariana Marcoantonio

  • Casais mistos de Jerusalém Oriental e Cisjordânia apostam seus vistos e gastam além da conta para viverem juntos em terra de ninguém
  • O risco de perder a residência ou as permissões de mobilidade os leva a comprar casas em solo muito caro, perto do muro, sem serviços nem proteção alguma
  • Mais de 60 mil árabes de Jerusalém ficaram do outro lado do muro de concreto, pelo traçado de segurança imposto por Israel

Tawfik and Samia, in their home close to the Qalandia checkpoint (West Bank)

O cerco da Palestina complica até os amores. Um cidadão da Cisjordânia, com absoluta limitação de movimentos, que não pode ir a Gaza e que só excepcionalmente e por tempo muito limitado tem visto para cruzar a Jerusalém Oriental, se vê quase forçado a encontrar a companheira na sua cidade, no máximo no vilarejo vizinho. Não há mistura, não há integração: háendogamia, e cada dia mais limitadora. Reduzem-se os laços de sangue e de amizade entre as comunidades palestinas históricas. Reforçam-se os compartimentos estanques. Resta namorar o vizinho. Não há outra. Isso ou o exílio, ou o drama. Há alguns anos, antes de levantarem 700 quilômetros de muro para isolar a Cisjordânia do resto de Israel, antes de bloquearem Gaza pelo triunfo eleitoral de Hamás, os casais palestinos de origem mista eram algo normal. As relações comerciais, a universidade, os transportes públicos, os bares ou as praças serviam para o encontro. Agora, são a exceção. A separação de um povo que cala até nas novas formas de família e, evidentemente, na sensação de unidade, de aliança e pertença ao grupo. Os palestinos dos Territórios e os da capital de Jerusalém são cada vez mais primos que irmãos.

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Carmen Rengel · Jerusalém / Tradução de Mariana Marcoantonio
  • Um relatório da ONU revela a exploração de cerca de mil mulheres: pobreza, patriarcado e violência levam-nas à prostituição
  • A maioria é vendida pelos próprios familiares, os primeiros abusadores. Quase a metade já estava casada aos 14 anos e 60% foi estuprada na primeira vez
  • A falta de legislação nos Territórios Palestinos leva a uma total impunidade dos cafetões e das máfia

Randa, prostituta durante 21 anos, posa oculta por um kiqab emprestado. Agora trabalha em uma loja.

Dizem os evangelhos que Jesus curou Maria, a pecadora, de sete demônios que a atormentavam. Foi lá em Magdala, uma vila ao pé do lago Tiberíades, há mais de dois mil anos. A uma longa hora do povoado de Madalena (que agora, segundo os mapas, se chama Migdal e é território de Israel), hoje vive Randa, 38 anos, dois filhos, palestina, muçulmana, prostituta. Nela ainda vivem seus sete demônios: pobreza, analfabetismo, violência doméstica, abusos sexuais, tráfico de pessoas, repúdio familiar, doenças venéreas… para citar sete. O que conta dá a entender que é rodeada por vários outros demônios. Seu caso é um dos que serviram de base para a UN Women (a Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres), cujos especialistas redigiram o primeiro relatório sobre prostituição e aids nos Territórios Palestinos e Jerusalém Oriental, com cerca de 250 testemunhos de trabalhadoras do sexo, cafetões, clientes e agentes de saúde. É a radiografia de um desastre duplo: o da exploração feminina, oculta sob patriarcados, dominação e fome, e o da doença, desconhecida, silenciada, ignorada por opressores que põem seu prazer acima da segurança e da dignidade da mulher.

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