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Tradução de Mariana Marcoantonio

Operadores de telemarketing da Telefónica fazem manifestação na Argentina. (Foto: Olmovich)

“Neste setor, não é estranho agora que você vá embora um dia de manhã da agência onde trabalha e que no dia seguinte te digam que o serviço será prestado por outra empresa, que sai ainda mais barata para a companhia contratante. Ainda que na teoria seja obrigatório reabsorver grande parte dos funcionários, na prática, em algumas vezes você fica e em outras, não”, me conta uma operadora de telemarketing de 48 anos, mãe de dois filhos. “Há anos, parece que temos que agradecer à Movistar por manter parte de seus serviços na Espanha em vez de realocar todos na Argentina, por exemplo. Lá, a situação é muito pior. Tem gente que ganha um salário bem abaixo dos 400 euros. Eu, há anos, tenho um horário estável e uma jornada de oito horas, mas a tendência agora é ter gente mais jovem trabalhando durante poucas horas por dia. Deve ser mais fácil contentá-los”. Leer más


Opinão

Por José Palazón, Presidente da ONG Pró direitos da Infância (PRODEIN). Tradução: Victor Farinelli

Talvez tenhamos em Melilla mais de 10 mil mulheres que cruzam a fronteira diariamente para trabalhar no serviço doméstico, são trabalhadoras das fronteiras, que dispõem de licença especial para exercer esse trabalho, devendo abandonar a cidade ao anoitecer. Seu estatus, por outro lado, é melhor que das outras 10 mil que também cruzam a fronteira todos os dias, para passar contrabando ou exercer outras atividades sem nenhuma regulação. Negócio puro!! São as escravas do mundo moderno!! O particular da nossa Khadija é que ela reside legalmente na Espanha, que duas de suas filhas têm nacionalidade marroquina enquanto os dois menores possuem nacionalidade espanhola e que há dois meses ela passa os dias e as noites em frente ao prédio da Prefeitura de Melilla, sem se calar, sem se submeter a ninguém, e sem medo.

Khadija sempre foi o que se esperava dela: limpa, pontual, calada, submissa, obediente, agradecida e discreta. Consciente de que qualquer outra coisa seria pior. Viu crescer suas duas meninas, nascidas em Melilla e obrigatoriamente indocumentadas, sem que pudessem ir ao colégio porque não tinham visto, algo “normal” nessa cidade. Sofreu maus tratos dos seus dois maridos durante anos, sem denunciá-los, porque ao menos, de vez em quando, traziam algum de dinheiro para sustento da família. Que outra coisa poderia fazer com quatro filhos e sua mãe doente de Parkinson, a quem também precisa atender?

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Carmen Rengel · Jerusalém / Tradução de Mariana Marcoantonio
  • Um relatório da ONU revela a exploração de cerca de mil mulheres: pobreza, patriarcado e violência levam-nas à prostituição
  • A maioria é vendida pelos próprios familiares, os primeiros abusadores. Quase a metade já estava casada aos 14 anos e 60% foi estuprada na primeira vez
  • A falta de legislação nos Territórios Palestinos leva a uma total impunidade dos cafetões e das máfia

Randa, prostituta durante 21 anos, posa oculta por um kiqab emprestado. Agora trabalha em uma loja.

Dizem os evangelhos que Jesus curou Maria, a pecadora, de sete demônios que a atormentavam. Foi lá em Magdala, uma vila ao pé do lago Tiberíades, há mais de dois mil anos. A uma longa hora do povoado de Madalena (que agora, segundo os mapas, se chama Migdal e é território de Israel), hoje vive Randa, 38 anos, dois filhos, palestina, muçulmana, prostituta. Nela ainda vivem seus sete demônios: pobreza, analfabetismo, violência doméstica, abusos sexuais, tráfico de pessoas, repúdio familiar, doenças venéreas… para citar sete. O que conta dá a entender que é rodeada por vários outros demônios. Seu caso é um dos que serviram de base para a UN Women (a Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres), cujos especialistas redigiram o primeiro relatório sobre prostituição e aids nos Territórios Palestinos e Jerusalém Oriental, com cerca de 250 testemunhos de trabalhadoras do sexo, cafetões, clientes e agentes de saúde. É a radiografia de um desastre duplo: o da exploração feminina, oculta sob patriarcados, dominação e fome, e o da doença, desconhecida, silenciada, ignorada por opressores que põem seu prazer acima da segurança e da dignidade da mulher.

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