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Carmen Rengel · Ramala (Cisjordânia, Palestina) / Tradução de Mariana Marcoantonio

  • Casais mistos de Jerusalém Oriental e Cisjordânia apostam seus vistos e gastam além da conta para viverem juntos em terra de ninguém
  • O risco de perder a residência ou as permissões de mobilidade os leva a comprar casas em solo muito caro, perto do muro, sem serviços nem proteção alguma
  • Mais de 60 mil árabes de Jerusalém ficaram do outro lado do muro de concreto, pelo traçado de segurança imposto por Israel

Tawfik and Samia, in their home close to the Qalandia checkpoint (West Bank)

O cerco da Palestina complica até os amores. Um cidadão da Cisjordânia, com absoluta limitação de movimentos, que não pode ir a Gaza e que só excepcionalmente e por tempo muito limitado tem visto para cruzar a Jerusalém Oriental, se vê quase forçado a encontrar a companheira na sua cidade, no máximo no vilarejo vizinho. Não há mistura, não há integração: háendogamia, e cada dia mais limitadora. Reduzem-se os laços de sangue e de amizade entre as comunidades palestinas históricas. Reforçam-se os compartimentos estanques. Resta namorar o vizinho. Não há outra. Isso ou o exílio, ou o drama. Há alguns anos, antes de levantarem 700 quilômetros de muro para isolar a Cisjordânia do resto de Israel, antes de bloquearem Gaza pelo triunfo eleitoral de Hamás, os casais palestinos de origem mista eram algo normal. As relações comerciais, a universidade, os transportes públicos, os bares ou as praças serviam para o encontro. Agora, são a exceção. A separação de um povo que cala até nas novas formas de família e, evidentemente, na sensação de unidade, de aliança e pertença ao grupo. Os palestinos dos Territórios e os da capital de Jerusalém são cada vez mais primos que irmãos.

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